terça-feira, 3 de julho de 2012
Teu Segredo
Na porta que se abria,
O ultimo refugio...
Ainda o gosto do beijo molhado, tão ao acaso.
Dos dedos tantos segredos
Como Ariadne,
Emaranhando-se no próprio fio do desejo.
E tem mais liberdade quem sabe guardar seus segredos...
O que seria de nós nos próximos dias...
Ainda aquele beijo
Refugio de uma paixão fugidia
Que se quer sabia que existia...
A verdade crua, que se volta contra nós.
Tantos anos se passaram...
Melhor brincar com o tempo...
Adormecidos
Imaginávamos que correríamos na rua,
molhando o vestido de algodão e o jeans desbotado.
Meu amor!
A Paixão é tanta agonia...
Noites insones ainda a saborear tua língua
Com aquele sabor de roubado
Ousado.
O que seria de nós naqueles dias?
Nem o manto tênue da mitologia
A nos proteger da servidão do desejo.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Sertão de amor
Bernardino -
No sertão dos lamento, das tristeza e das dor,
É o canto dos vaqueiro em sua montaria que ecoa na aridez...
A aridez das muié diante da seca,
Os camim sem fim.
As minina abre as janela e espia,
Espia pra além dos seus olhos...
O amô que nunca voltou
E espia a noite engolir o dia.
No sertão dos lamento, das tristeza e das dor,
É o canto dos vaqueiro em sua montaria que ecoa na aridez...
A aridez das muié diante da seca,
Os camim sem fim.
As minina abre as janela e espia,
Espia pra além dos seus olhos...
O amô que nunca voltou
E espia a noite engolir o dia.
Bernardino de Bendengó -
Quando a pedra santa despencou do céu, sua luz cortou o breu da noite e alumiou todo sertão.
As criatura da noite arribaram cantano
Pros anjo que desceram cum ela
Os que fugiram,
Os que acanharam,
Os que caíram de joelhos na terra seca...
Todos eles viram seu explendor!
Os homi das palavra escreveram seus verso, que até hoje estão incrustado,
Nas lapa e nos riacho.
Eu incantado com tanto mistério
Fui o premêro a chegar perto dela... Vi escrito em sua negrura as promessa de Nosso Senhor.
O homi Santo ta pra chegar e abençuar todo sertão...
Caminhei ao seu lado e escutei sua profecia que dizia: “Um dia
O sertão vai virar mar.”
Segurei sua bandêra e bebi de seu vim
Que deixou um travo de morte em minha língua.
Batalhei cum as sombra do meio dia e olhei nos zoio dos que sucumbiram
O reflexo da estrela de prata e do lenço vermeio do pescoço do justiceiro.
A donzela que curou minhas ferida,
só chegou na madrugada fria
e eu nem sabia que era herói,
Mas fui um rei na minha cama de paina, naqueles dias.
Mas fui embora...
Já tinha me acostumado com as istrada do sertão, caminhar pelos estreito, com a lua refletida no riacho do gavião.
Fui na casa do cantadô e conheci a história da mulher que virou pássaro e os dois home que morreram por ela.
Do meu cavalo saltei numa nau de sonhos e naveguei no fio do véio Chico, conheci o mundo intêro inté o fim do dia.
Quando aportei na areia prateada, ouvi a música que chegava da casa dos vaquêro. Brinquei no boi reluzente enquanto as mulhé bordava o manto do divino.
E lá, meu senhor, fui desafiado a trazer pro o sertão o Rei do Baião.
Que nacesse em nosso povo aquela alegria, numa noite de São João.
Pedi licença a Zé Danta... fui menino, fui anjo e como numa fantasia, fui abençoado desde intão
Apresentado no Espetáculo "Baião de Nois" na Celebração das Culturas do Sertão
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Poemas Dispersos
"Daqui a pouco acaba o dia.
Não fiz nada.
Também, que coisa é que faria?
Fosse o que fosse, estava errada.
Daqui a pouco a noite vem.
Chega em vão
Para quem como eu só tem
Para contar o coração.
E após a noite a irmos dormir
Torna o dia.
Nada farei senão sentir.
Também que coisa é que faria?"
Fernando Pessoa, Poemas dispersos
Não fiz nada.
Também, que coisa é que faria?
Fosse o que fosse, estava errada.
Daqui a pouco a noite vem.
Chega em vão
Para quem como eu só tem
Para contar o coração.
E após a noite a irmos dormir
Torna o dia.
Nada farei senão sentir.
Também que coisa é que faria?"
Fernando Pessoa, Poemas dispersos
Náufragos, salvo a arte.
Sentaram-se os dois. Havia um pouco de mormaço naquela manhã de abril. O ar pesava dentro do bar escuro. Uma luz de neon se repetia, meio frívola, anunciando o nome do bar, o N não ascendia direito e parecia apenas um garrancho iluminado. Os dois se olhavam nos olhos, como que hipnotizados por aquele momento. Ela não se continha de paixão. Ele não se continha de descontentamento. Ele chamou o garçom. A cerveja caiu alaranjada de neon no copo. Brindaram sem saber a quê exatamente. Ela regressou a sua solidão, havia demasiada ilusão em seus momentos e os lábios dele refletiam desdenho na borda do copo. Ele não achava que ela tinha o direito de sentir nada. Aquele corpo meio disforme, aos seus olhos, aquele sorriso, meio disforme, aos seus olhos... Ele era um artista. Amado por mulheres lindas e jovens e lindas e jovens... Ela não tinha o direito. Ela quase ouve seu pensamento. Sentiu um desdenho. Ele tão disforme, salvo a arte. Ele tão disforme em suas exigências, salvo a arte. Ele com os olhos meio tortos, incrustados numa pele enrugada e macilenta, o arco da sobrancelha de aspecto cômico, como um palhaço que chorava. A boca enviesada como um arlequim... Salvo a arte. Ela, coração ígneo, avistou da proa a terra... Os sonhos dissolveram no ar... Na língua um gosto de cerveja e pó, do que se desfez... O neon sucumbiu. Algum Sol rompeu o mormaço, o bar foi inundado de uma luz exigente. Ele opaco... Ela faminta. Havia de fato um mistério horizontal... Calaram-se num sorriso meio trôpego, enterrando numa vala no fundo do oceano, todo o descontentamento... Salvo a arte.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Atualizando Gregório Para Dia de Hoje
Choro
de Gregório de Matos
Como exalas, penhasco, o licor puro,
Lacrimante a floresta lisonjeando?
Se choras por ser duro, isso é ser brando,
Se choras por ser brando, isso é ser duro.
Eu, que o rigor lisonjear procuro,
No mal me rio, dura penha, amando;
Tu, penha, sentimentos ostentando,
Que enterneces a selva, te asseguro.
Se a desmentir afetos me desvio,
Prantos, que o peito banham, corroboro,
De teu brotado humor, regato frio.
Chora festivo já, cristal sonoro;
Que quanto choras se converte em rio,
E quanto eu rio, se converte em choro.
de Gregório de Matos
Como exalas, penhasco, o licor puro,
Lacrimante a floresta lisonjeando?
Se choras por ser duro, isso é ser brando,
Se choras por ser brando, isso é ser duro.
Eu, que o rigor lisonjear procuro,
No mal me rio, dura penha, amando;
Tu, penha, sentimentos ostentando,
Que enterneces a selva, te asseguro.
Se a desmentir afetos me desvio,
Prantos, que o peito banham, corroboro,
De teu brotado humor, regato frio.
Chora festivo já, cristal sonoro;
Que quanto choras se converte em rio,
E quanto eu rio, se converte em choro.
Vila Junina 2011
Vila Junina
As casas de taipa da Vila Junina, já fazem parte do Arraiá Pé de Serra do Peri- Peri, conceituadas no primeiro ano do projeto, e que agregam valores e personificam a festa, servem de cenário para ilustrar momentos históricos da região, bem como costumes e modo de viver do povo. Neste ano, além de “Casa do Tropeiro”, “Casa do Cordel”, “Casa do Bode”, teremos: Casa do Milho; a tão sonhada e esperada Casa da Farinha; Casa Joaquim do Fole, que pretende homenagear e contar a trajetória artística do músico Conquistense; Casa Topázio e Baianão, onde os músicos receberão seus amigos e pessoas da comunidade interessadas em conhecer causos da época de ouro das rádios em Vitória da Conquista; Casa do biscoito, onde um forno a lenha, oferece ao visitante o aroma peculiar das festas juninas; Casa da terceira idade, onde serão vendidas iguarias juninas; “Casa do Licor” e “A Capelinha de Melão”, este ano decoradas com quadrinhas juninas em fitas, produzidas por crianças das escolas municipais.
Assinar:
Postagens (Atom)

